Muralhas ao abandono

Paulo Morais"Sabe como eu acompanho com apreço a sua luta no domínio da corrupção. Falei dela muitas vezes."

Marcelo para Morais

"Muitas das denúncias que o dr. Paulo Morais tem feito são denúncias certas."

Nóvoa para Morais

"Tenho a minha biografia, tenho a minha vida claramente ao serviço da luta contra a corrupção."

Belém para Morais

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Os mais fortes candidatos a serem o próximo Presidente da República sujeitaram-se obnoxiamente, nos debates respectivos, ao tratamento demagógico e populista com que Paulo Morais explora a problemática da corrupção. Marcelo declarou-se fã, Nóvoa validou o método e a matéria e Belém reclamou pertencer ao clube. Este espantoso espectáculo exibe a uma luz implacável o estado de decadência política a que a direita conduziu o País desde 2004, com o lançamento do caso Freeport, e depois a partir de 2008 e até ao presente, em carga desenfreada envolvendo partidos, comunicação social, Presidência e agentes de Justiça. Não se sabe quando é que a estratégia terá fim ou se o terá.

Este Morais, mais um “homem do Norte” que se oferece para meter na ordem a moirama com uns berros, funciona como a perfeita caixa de Petri do fenómeno. Licenciado em Matemática (pasme-se), doutorado em Engenharia e Gestão Industrial (assombro) e professor catedrático há décadas a ensinar aos petizes universitários o que é a estatística e quejandos (temor e tremor na Grei), seria de esperar que o seu discurso contivesse números a respeito da corrupção. Pelo menos, alguns. De um fulano que anuncia ter dedicado a sua vida a esta causa, e que se apresenta como um académico e figura pública de alto prestígio, pelos menos um esboço dos casos e indícios de corrupção em Portugal, por mais preliminar que fosse, era o mínimo dos mínimos a trazer para sustentar a retórica de feira. Ainda por cima, estando numa campanha onde promete acabar com o mal recorrendo apenas ao poder mágico que o destino confiou à sua impoluta e magnífica pessoa. Como é que estamos de corrupção nos Governos, nas autarquias e nos institutos públicos? Onde cresce, onde diminui, onde se mantém, onde nunca ocorreu? Quais os padrões, qual a tipologia, quais as causas? Quem está a falhar, e a acertar, no campo da fiscalização? E no da prevenção? E no da investigação? E no da condenação? E porquê? Se alguém quiser que o Morais trate do assunto com alguma objectividade, com algum acesso tangível, concreto e racionalizador, terá de aguentar até à sua reencarnação.

Continua…

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